Ori


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  • Bibliografia

Designação, na tradição dos orixás, tanto no Brasil como na Diáspora, da cabeça em suas duas acepções: a física e a psicológica, sede do conhecimento e do espírito. Como força que controla o ser, é a “alma-personalidade”, responsável por governar a vida do ser humano; e da qual depende a vitória ou o insucesso do indivíduo. O termo denomina, também, uma forma de consciência presente em toda a natureza, inclusive em animais e plantas, guiada por uma força específica que é o orixá, sendo, por isso, objeto de culto, em cerimônias específicas, como a do bori[1]. Na língua iorubá, outro termo ori, com acentuação diferente, designa uma espécie de manteiga vegetal, usada em rituais religiosos. 

Nos candomblés Angola, a cabeça é chamada utue, termo derivado de Ntu, “ser”. Para os povos bantos, utue é o que confere racionalidade ao ser. Ao nascer, a criança é chamada de Kintu, “apenas um ser”. Somente após ter seu nome pronunciado pelo Nganga (sacerdote), passa a ser um MuntuNtu, a ter Mutuê, ou seja, sua individualidade é reconhecida, e este nome, que introduz a criança na comunidade, torna-se sagrado e secreto, sendo-lhe atribuído um segundo nome, público. Assim, para os cultos de matrizes bantas, é fundamental, sempre que possível, alimentar o Mutue para que possamos tomar as melhores decisões, pois sempre estamos a caminho.

[1] CF. MORAIS, Jorge. Obi: oráculos e oferendas. Recife: Ed. do autor, 1993, p. 69.