Egungum
- Descrição
Na tradição iorubá, na África e na Diáspora, cada um dos espíritos de ancestrais divinizados por sua importância durante a vida terrena, especialmente como chefes de linhagens ou de comunidades. São invocados e cultuados em uma forma corporal simbólica, atuando como elo entre os vivos e seus grandes mortos e garantindo a transmissão da força vital.
O culto, entretanto, estabelece os estritos limites das relações entre falecidos e viventes, pois, apesar de benéficos, os egunguns não podem tocar os humanos nem serem tocados por eles. Em suas aparições, sempre festivas e espetaculares – muitas vezes mascaradas, vistas como brincadeiras –, as distâncias são observadas.
Desses eventos participam as duas categorias de egunguns: os agbás, muito antigos e ricamente trajados; e os aparacás, mais novos, sem forma definida, surgindo apenas como simples retalhos coloridos tremulando no ar. Quanto a gênero, somente os ancestrais masculinos são cultuados como egunguns. E também só homens lidam com eles, cabendo às mulheres outras funções no culto. Em contrapartida, Iansã Ibalé, orixá feminino, é a rainha e mãe dos egunguns.
Remontando à primeira metade do século 19, o culto desenvolveu-se basicamente na ilha de Itaparica, na Baía de Todos os Santos. Em sua história sobressaem nomes como o de Tio Serafim, africano centenário falecido por volta de 1908, fundador do terreiro de Vera Cruz, do qual surgiram todos os outros da ilha, inclusive o Ilê Agboulá, em Ponta da Areia.
Em 1980, o sacerdote Mestre Didi (1917-2013) fundava em Salvador o Ilê Axipá, onde se cultuam os egunguns de sua família e de outros de antigos sacerdotes.